terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Para você que tem mais de 17 anos (de mercado ou de idade)

Dia desses estava conversando com uns amigos e relembrando como era difícil a gente conseguir referências para trabalhar em cima de uma idéia. Na verdade, na época que comecei a faculdade, nem computador tinha disponível (calma lá, nem sou tão velho assim).

Sabe aquelas quinhentas fotos que hoje a gente escolhe no banco de imagem online? Amigo(a), era tudo físico, uns livros que pesavam uma tonelada e a gente costumava marcar as fotos com post-it. Depois, tínhamos que escanear a foto escolhida, que costumava ficar com o famoso moiré. Salve o comando blur seguido do Unsharp do Photoshop.

Anúncio feito e aprovado, dificilmente se comprava a foto do tal livro do banco de imagem. Isso por que era necessário enviar a "foto" para a agência via Correios em forma de cromo (dá uma olhada aqui se você nunca ouviu falar), pedir para escanear a foto fora da agência, nos bureaus de tratamento, porque scanners comuns não faziam o serviço. Só então poderíamos trabalhar na imagem e montar o anúncio. Esse processo demorava uns 10 dias, no mínimo. Ahahahahaha, é sério. 

Por um lado isso era bom para o mercado fotográfico. Na maioria das vezes, por causa desse processo longo que citei, a gente "reproduzia" a foto com um profissional daqui. Foi a época de ouro dos nossos amigos fotógrafos e também formava o Diretor de Arte, que precisava pensar a imagem em detalhes, já que também não tinha fotografia digital. Eram uns 36 cliques, no máximo, que você só via depois de revelado. Nada de ficar vendo o visor LCD da câmera, não tinha isso :(

Fico lembrando quanto tempo a gente tinha para realizar uma simples pesquisa. Hoje, com as facilidades da tecnologia a gente se vira, mas vira escravo da velocidade e "consegue" resolver um anúncio em alguns minutos, que triste! Difícil resistir ao Google e tantos outros sites que, sim, são importantes e úteis. Mas a forma do feed antigo tem que estar presente na rotina do criativo. Cinema, livros (muitos), música, viagens e até uma volta na rua ainda são fundamentais para que a gente consiga se desligar um pouco da facilidade digital de hoje e criar nossa própria biblioteca de referências.

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